SO (RM1) Claudia Portinhal
Fazer parte da formação da primeira turma feminina da Marinha Mercante foi uma experiência extraordinária para mim, porque também me fez recordar da minha própria trajetória como pioneira na Marinha do Brasil, quando as mulheres passaram a integrar a instituição. Ao olhar para aquelas jovens, eu via meninas cheias de sonhos, expectativas e entusiasmo diante de uma profissão totalmente nova para elas. Ao mesmo tempo, eu tinha plena consciência da grande responsabilidade que nós carregávamos enquanto equipe de formação: prepará-las para ingressarem em um mercado de trabalho predominantemente masculino, transmitindo valores fundamentados no conhecimento, na ética, na hierarquia e na disciplina.
O primeiro desafio foi fazê-las compreender os pilares da vida militar, pois sem Hierarquia e Disciplina seria impossível cumprir adequadamente nossa missão. Também procurei mostrar a elas o verdadeiro valor da mulher no mercado de trabalho, sempre defendendo a igualdade, sem qualquer postura protecionista ou fragilizada. Elas precisavam entender que, junto das conquistas, também viriam grandes responsabilidades decorrentes das escolhas profissionais que estavam fazendo.
Com o passar do tempo, tive a satisfação de ver essas mulheres conquistando seus espaços e demonstrando toda a sua capacidade técnica e profissional em uma área historicamente masculina. Tanto na Náutica quanto na Máquinas, elas passaram a desempenhar suas funções com excelência, competência e dedicação, quebrando barreiras e mostrando, todos os dias, que possuem plena capacidade de atuar em igualdade com os homens. Tenho muito orgulho de ter participado desse momento histórico e de ter acompanhado de perto o crescimento e as conquistas dessas pioneiras da Marinha Mercante brasileira.
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