Maria do perpetuo socorro Pereira Rodrigues

Hoje, sinto orgulho e grande satisfação por ter participado desse momento histórico. Ver aquelas jovens que chegaram à EFOMM em 1997, deixando seus lares e suas famílias para enfrentar os desafios de uma carreira até então predominantemente masculina, e acompanhá-las até a formatura, no ano 2000, no CIABA, foi uma experiência marcante. Ao longo dos anos, muitas delas se transformaram em grandes profissionais, conquistando reconhecimento nacional e internacional. É motivo de honra vê-las em entrevistas, reportagens e posições de destaque, podendo dizer que acompanhei de perto suas lutas no início da formação e testemunhei sua trajetória de superação e conquistas. Além disso, tornaram-se inspiração para tantas outras mulheres que passaram a ingressar na Marinha Mercante, seguindo esse belo exemplo de determinação e coragem feminina.

Passei por um período de adaptação junto à primeira turma de alunas. Para mim, também era uma experiência nova, pois sempre havia trabalhado apenas com homens no Corpo de Alunos. A dinâmica com as mulheres exigiu mudanças na forma de tratamento e até na maneira de transmitir o linguajar militar, buscando sempre fazer com que elas se sentissem respeitadas, acolhidas e bem-vindas naquele novo universo. O objetivo era afastar qualquer insegurança diante da realidade que começavam a vivenciar.

Era importante fazê-las compreender que pertenciam à escola e que, a partir daquele momento, a formação militar deixava de ser um espaço exclusivamente masculino. As mulheres também tinham o seu lugar na Marinha Mercante. Por isso, foram plenamente inseridas na rotina da escola, participando das atividades acadêmicas, do Treinamento Físico Militar (TFM) e da convivência diária ao lado dos demais alunos.

Com o exemplo da primeira turma feminina, muitas outras mulheres passaram a conhecer a Marinha Mercante, que até então era vista como um ambiente distante e inacessível ao público feminino. Existia a crença de que mulheres não seriam capazes de exercer funções complexas a bordo de um navio. Entretanto, as pioneiras demonstraram exatamente o contrário. Hoje, mulheres ocupam posições de comando, atuando como comandantes, imediatas e pilotas, sem distinção em relação aos homens. São profissionais altamente qualificadas, que conduzem seus navios pelos mares do mundo, levando o nome da mulher da Marinha Mercante brasileira a todos os continentes. os pilares da vida militar, pois sem Hierarquia e Disciplina seria impossível cumprir adequadamente nossa missão. Também procurei mostrar a elas o verdadeiro valor da mulher no mercado de trabalho, sempre defendendo a igualdade, sem qualquer postura protecionista ou fragilizada. Elas precisavam entender que, junto das conquistas, também viriam grandes responsabilidades decorrentes das escolhas profissionais que estavam fazendo.

Com o passar do tempo, tive a satisfação de ver essas mulheres conquistando seus espaços e demonstrando toda a sua capacidade técnica e profissional em uma área historicamente masculina. Tanto na Náutica quanto na Máquinas, elas passaram a desempenhar suas funções com excelência, competência e dedicação, quebrando barreiras e mostrando, todos os dias, que possuem plena capacidade de atuar em igualdade com os homens. Tenho muito orgulho de ter participado desse momento histórico e de ter acompanhado de perto o crescimento e as conquistas dessas pioneiras da Marinha Mercante brasileira.

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