Eleni de Lourdes Oliveira Barbosa

Fazer parte da primeira turma de mulheres da EFOMM/CIABA, em 2000, foi mais do que uma conquista pessoal — foi um ato de pioneirismo. Nós abrimos caminhos onde não havia referências, enfrentamos resistências silenciosas e explícitas, e aprendemos, na prática, a nos sustentar umas às outras. Sem saber, já exercíamos a sororidade em um ambiente que ainda não estava preparado para nos receber. Ao longo da minha trajetória, vivi intensamente a profissão, passando por diferentes segmentos da navegação. Mas foi no offshore, após anos de alta exigência e ritmo acelerado, que me deparei com um limite invisível: o esgotamento. Estive à beira do burnout. Foi nesse momento que precisei fazer uma escolha consciente — desacelerar para preservar minha saúde mental. Retornar à cabotagem não foi um retrocesso, foi um recomeço. E, sem dúvida, a decisão mais acertada da minha vida profissional No campo pessoal, a decisão de não ter filhos também atravessa essa jornada. Não foi uma escolha simples ou baseada em um único fator, mas a carreira, com suas exigências e ausências, teve um peso real nesse caminho. É uma decisão legítima, construída com consciência e responsabilidade sobre a vida que escolhi viver.

Hoje, ao olhar para trás, vejo que o verdadeiro legado não está apenas nos cargos que ocupei, mas nas portas que ajudamos a abrir. E sigo com uma convicção simples: não existe sucesso profissional que justifique perder a si mesma no processo. Cuidar da mente, respeitar os próprios limites e fazer escolhas alinhadas com quem você é — isso também é conquista.

Lembranças

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